Ser designer é uma decisão de carreira muito grande, existem tantas barreiras para a prática da profissão no Brasil ao passo em que você também precisa aprimorar outras habilidades.

Assim, desde o início da carreira, ser designer vai exigir mais fortalecimento pessoal que profissional, como vou explicar ao longo deste artigo.

Mas antes, eu quero compartilhar uma percepção de mercado que vem se afirmando no meio profissional.

O conhecimento nas diversas ferramentas existentes serão, em pouco tempo, menos importantes [mas não menos exigidas] quanto a capacidade de criar e desenvolver soluções.

ser-designer-servico-carreira

Embora a relação entre serviço e carreira venha mudando há algum tempo, as empresas começam agora a criar oportunidades distintas de seus critérios de seleção anteriores, exigindo, em suas contratações, profissionais cada vez mais competentes em habilidades socioemocionais.

Os designers, portanto, não são contratados mais com base apenas em seus conhecimentos sobre adobe e programações.

Mas afinal, a profissão nunca se resumiu às ferramentas de design…

 

Como é Ser Designer 

Em uma frase eu diria que ser designer é: “Entregar uma proposta irrecusável e ao mesmo tempo criar um valor irrefutável.”

Desde que começamos nossa formação como designers, somos levados a encarar o mercado como um ambiente imutável: aplicamos as mesmas convenções de consumo, os mesmos fundamentos de design, as mesmas cores, os mesmos resultados, os mesmos critérios de valor sobre nosso trabalho.

O problema disso é que colocamos nosso nível de profissionalismo no mesmo patamar de outros milhares de designers que se formam todos os anos.

São mais de 90.000 pesquisas por mês relacionadas à carreira em design, só no Brasil. São 1.080.000 pessoas buscando anualmente uma forma de se inserir no mercado de design.

Conforme o Ministério da Educação divulgou em suas estatísticas, em 2009 já eram 336 cursos de design oferecidos por instituições que formavam designers no país.

Quando comparamos a quantidade de cursos superiores de design, com o de outras áreas, podemos perceber que temos mais faculdades de Design do que de Jornalismo, Arquitetura, Filosofia, Odontologia, Biologia, Relações Públicas e Fonoaudiologia.

Fazendo uma projeção, estimando que cada um dos 336 cursos formavam cerca de 25 designers por turma e considerando que a cada semestre se inicia uma nova turma, há 10 anos atrás já tínhamos cerca de 16.800 profissionais formados por ano.

Numa projeção maior, se formaram 40 alunos por turma, tínhamos cerca de 26.880 profissionais lançados ao mercado por ano.

Para fins de comparação, os Estados Unidos formam 40.000 designers gráficos por ano e a China forma 1 milhão de designers nesse mesmo período.

Claro que, de lá para cá, mais instituições abriram grade acadêmica para o curso, sem falar dos cursos técnicos e online que só vem crescendo no interesse dos estudantes conforme podemos comprovar pelo número crescente de eventos, blogs, empresas e workshops que são oferecidos para atender à demanda de aprendizado e imersão.

Portanto, a maior dificuldade de todo designer é se destacar em um mercado tão vasto e largamente competitivo.

Ser designer é entender novos comportamentos, inclusive na própria profissão

No entanto, existem muitas camadas entre a proposta e o valor que o designer não processa como parte do desenvolvimento de carreira e acaba encarando a profissão como uma prática estática.

Não me refiro ao processo criativo de um projeto, mas à capacidade de desempenhar um papel multidisciplinar no ambiente e negócio em que está envolvido.

Ou seja, os negócios e produtos mudam porque muda também o comportamento de consumo, seja em um cenário focado em um produto ou em serviço. Vejamos isso com um exemplo:

Ao longo da minha carreira eu conheci designers que passaram toda a vida profissional aplicando a mesma postura mediante o mercado e até com seus clientes.

Isso é natural no começo porque estamos tão inseguros que seguimos os passos que aprendemos com nossas referências mais próximas: acadêmicos e colegas de trabalho, então tendemos a repetir o que é transmitido e o que é compartilhado na vida acadêmica.

De certa forma, temos boas referências e claro que queremos seguir os mesmos passos de alguém que obteve sucesso.

Todo mundo gosta de um passo a passo porque é simples de compreender e seguir, mas tentar seguir um “manual de atitudes” para sua carreira em design pode engessar seu aprendizado e fazer você perder oportunidades.

Para explorar a carreira é preciso pensar também em estratégia.

Afinal, o sucesso não vem no mesmo formato para todos.

Embora todos busquem por uma carreira que forneça mais conforto, estabilidade e flexibilidade, manter a mesma postura e atitude na profissão em busca desse conforto não só vai fazer você estagnar como também ser facilmente ultrapassado.

É como aplicar os mesmos conceitos para projetos diferentes… Onde você acha que isso vai parar?

Quem tiver a primeira ideia disruptiva sai na frente. É aqui que entramos em um princípio muito importante e que a convenção profissional nos leva a desconsiderar.

 

Versatilidade na Formação Profissional

Então, ser designer necessita de versatilidade. É o conhecimento ou capacidade de aprender outras habilidades que o mercado valoriza mais.

É isso ou você irá ancorar sua carreira do mesmo jeito que muitos dos designers que conheci.

Nada de errado ou proibido em seguir o passo a passo por um caminho plural, mas é indicado que, no novo cenário de mercado competitivo em que vivemos, o designer consiga se moldar.

E eu sei que existe uma dificuldade enorme em conseguir se posicionar no mercado e entender isso estrategicamente, até conhecer as habilidades certas para alcançar a segurança na carreira.

Portanto, espera-se que o designer saiba usar as teorias e fundamentos para uma realidade de mercado que o torne um profissional em destaque e disputado.

A maioria dos designers não experimentam essa aplicação, faz parte da nossa metodologia de aprendizado operarmos apenas com os critérios e ensinamentos acadêmicos e só depois de formar e, finalmente, se jogar no mercado como profissional, descobrimos que a academia não é aprendizado suficiente e nem tem aplicação em 100% no cenário real.

O que aconteceu com os designers que conheci?

Ano após ano eu os vi perdendo clientes, perdendo oportunidades no mercado, recebendo mais recusas que aceitação em processos seletivos e, ainda, reclamando que o mercado é ruim e que a concorrência é desleal.

Eu mesma já me senti insegura tantas vezes e por tantas vezes perdi oportunidades também. Até conhecer as habilidades do novo cenário de mercado.

Um dos principais motivos para tantas recusas e inseguranças é justamente o julgamento rígido sobre como o mercado não valoriza a profissão, sem antes se movimentar e buscar alternativas por iniciativa própria.

Em contrapartida, designers amadores usam a profissão como “bico” apenas para complementar renda e têm obtido um certo sucesso com essa atitude.

Por que? É aí que entra a diferença entre serviço e carreira.

 

Por que há designers que fazem serviço?

A concepção de trabalho no Brasil ainda é muito tradicional, mas nos EUA, por exemplo,  é provável que no próximo ano profissionais freelancer irão chegar a 40% da atividade do mercado de trabalho.

Se essa moda pega, imagina como você precisa estar preparado para, daqui alguns anos, conseguir trabalhar com projetos e não em empregos no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo?

Contudo, para conquistar uma carreira assim, é preciso ter habilidades que destaquem sua capacidade de gestão e autoempreendedorismo, ou do contrário, as empresas e clientes não manterão a confiança no seu trabalho por muito tempo, seja como freelancer ou como contratado.

… e como fazemos Carreira em Design?

Quando fazemos um trabalho que exige manipular dados, podemos dizer que é uma prestação de serviço, mas quando o trabalho é um projeto focado em resultado e evolução constante, aí sim que estamos criando uma carreira.

A diferença entre serviço e carreira é a sua intenção final: você quer só fazer o trabalho, pegar o dinheiro e dar tchau ao seu cliente?

Ou você quer engajar o projeto e fazer o negócio crescer independente da situação atual?

Em pouco tempo não haverá mais o perfil de funcionário como somos levados a conhecer durante nossa formação profissional. Isso mudou e vai continuar mudando, se aprimorando, principalmente com o advento da era digital.

O que o designer, em constante necessidade de diferenciação, pode fazer para ser mais competitivo, independente do nível acadêmico ou profissional?

Carreira em Design: Quais as Habilidades Profissionais Mais Exigidas no Novo Mercado?

1. Visual Sensemaking

Sensemaking é interagir e operar a informação com uma variedade de mecanismos de processamento de informação, coleta de dados e, então, representá-los adequadamente de maneira visual.

Ou seja, representar visualmente, os dados estatísticos e de comportamento, por meio de gráficos ou desenhos.

Embora as pesquisas foquem no estudo cognitivo de um usuário único, o sensemaking é um recurso que considera o processo social de colaboração e torna as relações de processamento de dados mais interativos.

2. Transdisciplinaridade

Essa é a habilidade que unifica os aprendizados e experiências com o uma grande valor intangível na sua formação profissional, ela é a capacidade de integrar diversas áreas para gerar conhecimentos e soluções aplicadas.

Ao contrário do conceito universitário de máxima especialização profissional, que acaba distanciando parte da sociedade, essa ferramenta [ transdisciplinaridade ] permite que a sociedade consiga ultrapassar esse bloqueio e busque continuamente ampliar sua bagagem profissional, ao invés de se especializar.

Assim, designers podem se tornar mais requeridos, capazes de enfrentar com mais competitividade o novo formato do mercado de trabalho.

3. Design Thinking

Muito forte e praticado em processos de criação essa metodologia é capaz de usar o pensamento criativo na busca por soluções de problemas profundos e complexos, como dito no início deste artigo:

O conhecimento nas diversas ferramentas existentes serão menos importantes [mas não menos exigidas] quanto a capacidade de criar e desenvolver soluções.

 

4. Adaptação

Discurso e pensamento adaptável é a capacidade de dinamismo e proatividade na habilidade de solucionar problemas. Você precisa ter dinamismo para agir em tempo hábil e aplicar processos focados em resultado, isso é o que as empresas e negócios buscam hoje.

Além disso, ser uma pessoa capaz de se adaptar a diversos cenários mostra o quão preparado psicologicamente você é mediante os desafios e relacionamentos no ambiente de trabalho.

Onde aprender mais sobre Relacionamentos Interpessoais no Ambiente de Trabalho?

5. Transculturalidade

Reafirmando o que foi dito no tópico anterior, a transculturalidade é a habilidade em lidar com contextos culturais diversos, independente do contexto social ou do contexto tecnológico.

A abertura de novas possibilidades de interação é uma importante contribuição da transculturalidade, pois possibilita um espaço diferenciado na sua dimensão virtual e instaura uma metodologia dinâmica onde as interações se realizam em uma densa rede de conectividade, entre saberes que são compartilhados (Arriada, 2005), provocando uma transformação na sociedade, que está cada vez mais se tornando uma sociedade baseada na informação e no conhecimento (Bertolleti et al, 2003).

 

 

E aí, gostou do conteúdo? Indique para outras pessoas e comente qual habilidade você identifica no seu perfil profissional ou qual gostaria de aprimorar.

Te desejo sucesso, de coração 

Abraço, Glau


Referências:

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